30/JAN/2012 - FST 2012: Memorial da Memória e Verdade no Mercosul é lançado em Porto Alegre
Date: 2012-01-30
Ministra Maria do Rosário e secretário Assis Brasil firmam parceria. / Foto: Divulgação Secretaria de Cultura RS
Foi lançado neste sábado (28), em Porto Alegre, o Memorial da Memória e Verdade no Mercosul. O ato integra a programação do Fórum Social Temático 2012. O projeto do Memorial foi aprovado na Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos do Mercosul (RAADH), realizada em dezembro, em Montevidéo, no Uruguai. O objetivo é reunir documentos, estudos e debates sobre as ditaduras dos países latino-americanos e suas conexões. O Memorial é uma parceria da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e da Secretaria de Cultura do Rio Grande do Sul.
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, citou a aprovação e sanção em 2011 da Lei de Acesso à Informação e da Comissão da Verdade como marcos da afirmação democrática do Brasil. Ela destacou a trajetória que o país vem trilhando recentemente para resgate das violações de Direitos Humanos ocorridos durante a ditadura militar. “Nós vivenciamos episódios de terror e devemos [Estado] um pedido de perdão, acompanhado da certeza de que nunca mais se repetirá”, afirmou.
Ela destacou ainda a importância do Memorial ser lançado durante o Fórum Social. “Aqui pulsa a democracia. O Fórum incluí o tema dos Direitos Humanos para que eles nunca deixem de estar no centro dos debates sobre um outro mundo possível”, disse.
O secretário de Direitos Humanos da Argentina, Eduardo Duhalde, participou do ato e elogiou a iniciativa de trabalho conjunto para resgate da verdade. “Não se pode construir democracias fortes e profundas com base na mentira. A memória pode ser a nossa prisão e a nossa liberdade”, classificou. Ele destacou a necessidade de criação de um grupo técnico para investigar a Operação Condor, aliança político-militar entre regimes militares da América Latina criada com o objetivo de coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras.
O secretário de Cultura do RS, Luiz Antonio de Assis Brasil, destacou que conhecer o passado é fundamental para valorizarmos a democracia que vivemos. “Nós temos que voltar atrás para entendermos o presente e projetarmos o futuro. A instituição desse espaço é um momento de reiteração do que não podemos esquecer”, afirmou.
No momento de maior emoção da cerimônia, a uruguaia Lílian Celiberti, que foi sequestrada e presa em 1978, juntamente com o marido Universindo Rodríguez Díaz e seus dois filhos, Camilo e Francesca, de 8 e 3 anos de idade, respectivamente, deu seu testemunho. “Há um direito à memória quando se vive um período trágico, mas para isso precisamos dar voz ao sofrimento. Temos muito o que saber sobre as ditaduras”, disse.
Ela destacou que a memória não é individual, mas coletiva. “A ditadura não atacou só os militantes políticos, mas um povo. Não quero nenhuma vingança. Só quero a verdade pública.”
O teólogo Leonardo Boff afirmou que dos arquivos da Operação Condor virá a tona a paixão de uma geração de lutadores. “Libertamo-nos de um passado que nos prende para vivermos a liberdade plena. Isso vai dignificar a nossa história”, resumiu.
O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, o presidente da Assembleia Legislativa do RS, Adão Villaverde, e o Secretário-Executivo do Arquivo Nacional da Memória Histórica da Argentina, Carlos Lafforgue, também participaram do ato.