21/MAI/2010 - Dia Nacional do Cigano – 24 de Maio - será comemorado com grande festa, nesta 2ª feira (24), no Rio de Janeiro
Date: 2010-05-22
Por Anielle Gerliana,
Na segunda-feira (24) é o Dia Nacional do Cigano e para celebrara data acontece a Cruzada pela Paz Mundial, no Rio de Janeiro (RJ). O evento é um tradicional festival de música, dança e gastronomia cigana. É realizado há 12 anos no dia da padroeira universal dos povos de etnia cigana, Santa Sara Kali.
O subsecretario nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Perly Cipriano, participa da cerimônia juntamente com representantes das Secretarias Estaduais da Educação, de Assistência Social e Direitos Humanos, da Identidade e da Diversidade Cultural, dos Conselhos Estaduais de Direitos Humanos, Comissões das Assembléias Legislativas, Câmaras Municipais, além de representantes das comunidades ciganas.
O objetivo é celebrar e dar visibilidade aos costumes e crenças e fazer um apelo à união entre todos os povos e religiões. A festa será realizada no parque municipal Garota de Ipanema, no Arpoador, que se tornou referência para a comunidade cigana quando, em 2003, foi assentada no local uma imagem da padroeira.
A programação começa às 9h, com a oficina de capacitação do Prêmio Culturas Ciganas 2010, realizada pela Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID) do Ministério da Cultura. Quiromancia, cartomantes, e degustação de pratos típicos ao som de música cigana também estão programados. Às 17h, será realizado um culto ecumênico, seguido de ritual cigano na gruta natural onde está assentada a imagem de Santa Sara Kali. Em seguida serão apresentados números de música e dança típica.
“Estabelecer políticas públicas e ações que possibilitem a conquista da cidadania plena para o povo cigano é uma das nossas prioridades”, afirma Cipriano. Ele conta que a SDH desenvolve uma série de ações com este objetivo.
A lista de reivindicações dos ciganos é clara e está pronta. As principais são: registro de nascimento e, em conseqüência, todos os documentos necessários para o exercício da cidadania. Atualmente, a grande maioria não pode tirar carteira de identidade, certidão de casamento, título eleitoral, carteira de motorista ou certidão de óbito. Eles reivindicam ainda o direito de ir e vir sem serem importunados pela polícia.
“Nesse momento de grande importância para o povo cigano, que sempre foi o excluído dos excluídos, festejar com os irmãos ciganos e gajês (não ciganos) as vitórias alcançadas, será a certeza absoluta de que é possível acreditar num mundo melhor, mais digno, amigo, justo e solidário”, afirma a organizadora do evento, Mirian Stanescon Batuli, presidente da Fundação Santa Sara Kali e conselheira do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR).
Publicada pela SDH, a cartilha “Povo Cigano – O direito em suas mãos”, de autoria da cigana e advogada Mirian Stanescon, que orienta sobre os direitos dos povos ciganos também será distribuída aos participantes.
No Brasil, o 24 de Maio foi instituido como Dia Nacional do Cigano por decreto, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006.
Festa Oficial de Santa Sara Kali – Dia Nacional do Cigano
Data: 24 de maio de 2010
Horário: a partir das 9 horas
Local: parque Garota de Ipanema, Posto 7, Rua Francisco Otaviano, Arpoador, Rio de Janeiro (RJ).
Entrada Franca
História marcada pelo preconceito e discriminação - Sair da marginalidade e conquistar a cidadania. Esse é o maior sonho da população cigana brasileira. Desde quando chegaram ao País, são alvo de um brutal preconceito e discriminação. A maioria dos brasileiros já ouviu, em algum momento da vida, principalmente na infância, histórias relacionadas a roubo de crianças, galinhas, roupas do varal e toda sorte de lendas possíveis.
O imaginário nacional desconhece essa cultura milenar e os seus principais fundamentos. Os problemas que atormentam o grupo hoje começam já na dificuldade para conseguir o registro de nascimento. O documento é o primeiro passo para o início da vida do cidadão brasileiro. Sem ele, não se consegue ter acesso a praticamente nenhum dos serviços públicos. Soma-se a isso o agravante de não terem endereço fixo, exigência pouco questionada.
Os ciganos são, na sua maioria, povos nômades, que tiveram origem há quatro mil anos, na região do Punjab, ao noroeste da Índia, hoje o Paquistão. Chegaram ao Brasil em 1574, expulsos da Europa pelo Estado, em decisão que atendia à Igreja. Segundo relatos, nesse período, Portugal e Espanha cortavam as orelhas dos ciganos e os jogavam às galeras para serem deportados. Isso porque eram considerados um povo diabólico. No Brasil, existem dois grandes grupos: os Calons (ciganos de origem ibérica, principalmente espanhola) e os Rom (originários do leste europeu).