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13/MAI/2010 - Memorial homenageia estudantes de Apucarana (PR) mortos durante a ditadura militar

Date: 2010-05-13

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, inaugura em Apucarana (PR), nesta sexta-feira (14), memorial em homenagem a dois estudantes da cidade que foram mortos pela repressão na ditadura militar. Antes da inauguração, o ministro participa de debate sobre a terceira edição do Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH-3), lançado pelo Presidente da República em dezembro de 2009.

O debate sobre o PNDH-3 será às 15h, no cine teatro Fênix, avenida Curitiba, 1.215, Centro. Na ocasião, o ministro fará uma apresentação do programa, que está organizado em seis eixos estratégicos, com 521 ações. A palestra será aberta ao público e contará com a presença do prefeito de Apucarana, João Carlos de Oliveira, do representante do grupo Tortura Nunca Mais do Paraná, Narciso Pires, entre outros convidados. Às 17h, haverá uma caminhada até a praça Central para inauguração do memorial “Pessoas Imprescindíveis”, em homenagem aos estudantes José Idésio Brianezi e Antônio dos Três Reis de Oliveira.

O memorial é uma iniciativa conjunta da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República com a Prefeitura de Apucarana, a Fundação Luterana de Diaconia e a Agência Livre para Informação e integra o projeto Direito à Verdade e à Memória, conduzido pelo Governo Federal desde 2006 com o objetivo de recuperar e divulgar o que aconteceu durante a ditadura militar no Brasil – 1964/1985 -, período marcado pela violência e violações de direitos humanos.

Para o ministro Vannuchi, os memoriais contam à sociedade brasileira histórias de pessoas que deram suas vidas em favor de um regime democrático e livre, em um momento em que no Brasil prevalecia a tortura e execuções. Dezoito memoriais já foram inaugurados, em dez cidades brasileiras, e se consolidam como sinais permanentes da história na vida do brasileiro, informando sobre o passado e despertando a consciência crítica da população.

O projeto Direito à Verdade e à Memória, conduzido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, está estruturado em três eixos: a instalação dos memoriais “Pessoas Imprescindíveis”, publicações sobre o tema Direito à Memória e à Verdade – que já reúnem quatro títulos -, e a exposição “A Ditadura Militar no Brasil: 1964-1985”, que já esteve em mais de 50 cidades brasileiras, sendo vista por um público superior a 2,5 milhões de pessoas.

Os homenageados:

José Idésio Brianezi (1946-1970) -
Filho de América Tomioto Brianezi e José Paulino Brianezi, nasceu em 23 de março de 1946, em Londrina (PR). Estudante da Escola Técnica de Comércio de Apucarana inicia sua militância política na União dos Estudantes de Apucarana (UEA) no ano de 1966. Em 1968, passa a integrar a dissidência do PCB (Partido Comunista Brasileiro) em Apucarana.

Com a invasão e o fechamento da UEA em dezembro de 1968 pelo regime militar, torna-se insustentável a sua permanência na cidade. Muda-se para São Paulo, para se integrar à ALN (Ação Libertadora Nacional), juntamente com Antônio dos Três Reis de Oliveira. Documentos dos órgãos de segurança registram que ele seria um dos subcomandantes do Grupo Tático Armado da ALN, em São Paulo, no início de 1970.

Nesse mesmo ano, foi morto por agentes da Operação Bandeirantes (OBAN). Sua certidão de óbito traz a versão oficial de que faleceu em 13 de março de 1970, na pensão onde morava, no Campo Belo, capital paulista, em tiroteio. Análise pericial dos documentos existentes e de uma foto encontrada no arquivo do DOPS, levo a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos a concluir que José Idésio foi executado sumariamente, tendo levado três tiros de frente para trás, com evidente diferença de nível entre o corpo e os autores dos disparos.

Antônio dos Três Reis de Oliveira (1948-1970) - Filho de Gláucia Maria de Oliveira e Argeu de Oliveira, Antônio dos Três Reis de Oliveira nasceu em 1948, em Tiros, Minas Gerais, mas cresceu em Apucarana. Em 1966, estudava na Escola Técnica de Comércio de Apucarana, quando começou suas atividades políticas na UEA (União dos Estudantes de Apucarana). Em 1968, ingressa na Faculdade de Ciências Econômicas de Apucarana. Participou como delegado da UPE (União Paranaense dos Estudantes) do 30° Congresso da UNE, em 1968, em Ibiúna, quando foi preso pela primeira vez.

Juntamente com outros estudantes de Apucarana, inclusive José Edésio Brianezi, integra a dissidência do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Após a invasão e o fechamento da UEA pelo Exército em dezembro de 1968, muda-se para São Paulo com Brianezi, passando a militar na ALN (Ação Libertadora Nacional).

Sua morte foi negada pelas autoridades de segurança, embora conste de um relatório do Ministério da Aeronáutica de 1993 que ele morreu em 17 de maio de 1970, no bairro do Tatuapé, em São Paulo, quando uma equipe dos órgãos de segurança averiguava a existência de um “aparelho” (denominação dada às casas ocupadas por militantes clandestinos). Os documentos acerca de sua morte somente foram encontrados na pesquisa feita no IML/SP em 1991. Conforme depoimento dos presos políticos de São Paulo, Antônio foi assassinado junto com Alceri Maria Gomes da Silva e ambos foram enterrados no Cemitério de Vila Formosa. Seus corpos nunca foram resgatados, apesar das tentativas feitas em 1991, pela comissão de investigação da vala de Perus. 

Veja aqui o livro Direito à Memória e à Verdade

Palestra sobre PNDH-3
Data: 14 de maio de 2010
Horário: 15 horas
Local: cineteatro Fênix, av. Curitiba, 1.215, Centro,  Apucarana (PR)

Caminhada até a praça Central e inauguração de monumento em homenagem a Antonio Três Reis Oliveira e José Idesio Brianesi
Data: 14 de maio de 2010
Horário: 17 horas
Local: pça Semiramis Braga  (ou praça do 28),  rua Desembargador Clotário Portugal, bairro 28 de Janeiro, Apucarana (PR)

 

 


 

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